Qual o custo de não integrar os processos de negócios?

Por Rodney Antonio Repullo, CEO da Magic Software Brasil – Grupo Repullo

Os sistemas de gestão de informações de negócios por intermédio de soluções de ERPs, CRMs e outros, que chegaram às pequenas e médias empresas há menos de 10 anos, já atingiu a sua capacidade de agilizar os processos de negócios em grande parte das organizações. Nesse cenário sobraram “vazios” entre os vários sistemas existentes, entre os quais não há integrações em tempo real que possibilitem o tráfego das informações entre os processos. Ainda mais com a agilidade necessária para tornar a corporação numa EMPRESA EM TEMPO REAL (RTE – Real Time Enterprise), que o cenário atual exige.

Na sua grande maioria, a integração é humana, ou seja, pessoas que lêem informações num sistema e registram em outro (e em outros mais!). A integração da informação é feita via papel e na melhor das hipóteses com os famosos arquivos TXTs ou EDIs, que são adotados como soluções, diante das possibilidades tecnológicas existentes nas empresas. Esta última até possibilita um nível de integração, mas introduz um atraso no tráfego de informações, ao qual fica na dependência da troca repetitiva, cansativa desses arquivos para que as informações percorram seu caminho natural no processo de negócio da empresa. Isso sem considerar os efeitos da interferência humana nesse processo, sujeita a erros em escala geométrica, que acabam por gerar transtornos graves, como cobrar um pagamento de um cliente que já pagou, devido a falha na integração de informações. Quem já passou por isso, sabe o quanto isso é desagradável e o efeito negativo disso para o negócio.

Não só os buracos ou “gaps” de integração são os vilões da estória. Muitos processos não suportados pelos sistemas atuais passam por processos manuais ou pelas planilhas eletrônicas, que se tornaram o “analgésico” para todas as dores de cabeça, mas geram efeitos colaterais indesejáveis, como atraso na entrega de informações ou dados não confiáveis. Essas planilhas são, na sua grande maioria, justificadas pelo alto custo das customizações oferecidas pelos fornecedores de ERP.

Outro cenário muito comum em muitos setores onde não existem soluções adequadas para o “core business” da empresa é o desenvolvimento de soluções específicas que, em sua grande maioria, também não estão integradas em tempo real com soluções existentes em áreas mais padronizadas, como compras, financeiro, faturamento, contabilidade, etc.

Esses aspectos aqui apresentados geraram nos últimos anos uma demanda às empresa de tecnologia para desenvolverem novos produtos baseados nos conceitos do momento, entre os quais podemos citar algumas: EAI – Enterprise Application Integration, BPM – Business Process Mangement, SOA – Service Oriented Architecture, Workflow, BAM – Business Activity Monitoring, ESB – Enterprise Service Bus, entre outros.

Projetos e tecnologias viáveis para garantir o retorno de investimentos compatíveis com empresas de pequenos e médios portes já estão disponíveis com os conceitos acima. Todos eles em prol da rapidez na execução dos processos, da flexibilidade às mudanças de regras de negócios, agilidade na criação de novos produtos e serviços. No entanto, como são conceitos ainda novos e ainda não totalmente incorporados pelos empresários e profissionais da área de TI brasileiros, temos visto uma certa resistência inicial do mercado.

As empresas de TI que oferecem projetos de integração no mercado de pequenas e médias empresas são unânimes em relatar que os benefícios são muitos bem entendidos, mas por não se tratar de conceitos consagrados, como o do ERP, as empresas têm adiado demasiadamente os investimentos nessa área. Mesmo em casos onde o retorno de investimento é claramente demonstrado e comprovado. Infelizmente não são percebidos os reais custos dessa decisão de não integrar.

O que devemos fazer é alertar as empresas, principalmente aquelas que adiam os investimentos em projetos dessa natureza, para o fato que muito em breve, elas perceberão que o verdadeiro custo da falta de integração está oculto e afeta o patrimônio da empresa: os clientes.

A exigência da excelência de qualidade em produtos e serviços cria um cenário altamente competitivo e devastador para as empresas. Onde “milímetros” de vantagem fazem rapidamente clientes migrarem de uma marca a outra.

Ao mesmo tempo, temos visto que empresas as quais vêem seus negócios pelo prisma da orientação a processos, e investem em integração, aumentam cada vez mais a lealdade de seus clientes e encontram-se firmes e fortes no propósito de manter seus clientes longe de seus concorrentes. Citamos aqui o caso de pequenas e médias empresas, pois no nível das grandes corporações essas dificuldades não existem, pois elas ou já realizaram esses investimentos ou já desapareceram no cruel combate da competitividade de mercado.

Qual seria sua opção, numa compra de um CD ou DVD, num site de e-commerce, se um dos sites lhe oferece a entrega em 24h e outro que lhe dá um prazo de 1 semana, com custo maior? Muito provavelmente o site que lhe oferece o prazo de uma semana, tem um site de e-commerce onde os pedidos são impressos todos os dias pela manhã (quando o responsável não faltar ao trabalho) e depois são digitados por outra pessoa no ERP (que às vezes digita o produto errado). Isso leva a um cenário fatal de erros, perda de competitividade e conseqüentemente da lealdade de seu cliente.

Não quer perder seus clientes? Integre já !!!

Publicado em BPM, BPMS. 3 Comments »

3 Respostas to “Qual o custo de não integrar os processos de negócios?”

  1. Tedd W Santana Says:

    O senhor Rodney acertou na sua afirmação dos problemas oriundos da falta de integração. Já passo por isso em nossa empresa. Aproveito para também lembrar que os novos sistemas a ser desenvolvidos devem ter em seu planejamento a integração com os sistemas atuais. Muitas vezes, por questões de custo, as soluções adotadas não conteplam esta integração em sua plenitude. Fazendo isso, não só nos sujeitamos aos problemas relatados no artigo mas teremos um custo bem maior quanto a integração for feita.

  2. Rafael Oshiro Says:

    Ótimo artigo, Rodney!
    É exatamente este cenario que vemos diariamente em todas as empresas…
    Mesmo em grandes empresas exitem problemas de uma grande quantidade de sistemas legados sem nenhuma ou pouco integração! Sem contar os processos manuais…

  3. Antonio Says:

    Otimo artigo, mas quem será culpado,os integradores ou os proprios empresarios com a falta de visão ou até mesmo cultura?!

    Antonio Paulo Diretor de Negocios de uma Software House.


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